"Nothing is harder than to wake up all alone, realize it's not okay, it's the end of all you've known. Time keeps passing by, but it seems I'm frozen still. Scars are left behind, but some too deep to feel."


Ethan Alexander Bradford
24, Human



Asa @ Burn it down

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sedatednight:

O sol começava a esconder-se no horizonte, tingindo de alaranjado o céu e toda a paisagem ao redor. Ethan focou os olhos nas sombras sinistras das poucas árvores pela rua, chegando à conclusão de que se não era seguro estar ali de dia, seria muito pior quando a escuridão reinasse completa. Entretanto não se moveu. Voltou a fitar os restos da casa à sua frente, envolta em cinzas e pedaços chamuscados de madeira. Soltou uma risada muda e sem humor algum, perguntando-se mentalmente quando as coisas iam começar a melhorar. De alguma maneira sabia que a resposta era “nunca”.

Aquela era a casa dos Sawyer, o lugar que o abrigou por grande parte de sua infância e adolescência. Os quartos, as paredes, o jardim… Todos os lugares tinham uma história para contar, uma memória preciosa, onde os personagens principais eram ele e Morgan Sawyer, seu melhor amigo desde a primeira vez em que se viram. A única pessoa que estivera com ele em todos os momentos, agüentando todas as suas fases com lealdade, paciência e companheirismo. Agora… estava tudo acabado. Não era a casa que o preocupava - fora-se o tempo em que se apegava a coisas materiais - mas sim o quanto pesava o significado de ter sido incendiada: a infecção alastrara-se até ali. O fogo não consumira somente os móveis e as lembranças… Também o levara com ele.

Abaixou a cabeça. Os olhos estavam irritados, mas ainda assim sentia-se incapaz de chorar. Era algo que não resolvia nada. Ergueu a mão direita para coçá-los, mas desviou-a para a arma presa no cós de sua calça assim que o som baixo de passos atingiu seus ouvidos. Saiu do meio da rua o mais quietamente que pode, escondendo-se atrás do tronco da única árvore que ainda mantinha-se em pé naquele terreno. Puxou o gatilho, ato que virara automático por todas as vezes que já empunhara a pistola apenas nas últimas semanas, e pendeu a cabeça levemente para a esquerda, conseguindo manter-se precariamente nas sombras e ter uma boa visão do final da rua. Esperou inquietamente que alguém entrasse em seu campo de visão.

O sol vermelho-alaranjado escorria pelo céu como sangue. Como o sangue de todos os que foram afetados pela epidemia; como o sangue de sua família.

Como o seu próprio sangue.

Asa aproximava-se dos restos de sua casa com passos incertos, vacilantes; as pálpebras pesando mais do que a mochila que arrastava consigo pelo caminho. Deve ser o sono, ele pensava, tentando afugentar a lembrança de poucas horas atrás.

Tentando se enganar.

O machucado no ombro voltara a sangrar – e sabe-se lá o que mais além de sangue escorria para fora de sua pele. Em poucos minutos a blusa que usava estaria empapada com o líquido denso e escuro que, ao menos para Asa, já fedia a morte.

Desfilava com uma estonteante camisa florida azul e branca – a única de seu tamanho que conseguira encontrar no mercado local – pela ruazinha que o levaria à casa número 22, se ela ainda existisse.

Asa, o garoto da camisa alegre, deveria estar contente, deveria estar saltitando, orgulhoso por trajar aquele grande naco de contentamento têxtil. Não, Asa não fazia jus à camisa. O momento não parecia propício. Vê-se então aquela figura desanimada e florida aproximando-se das ruínas e cinzas de uma construção de dois andares.

Isso é obra sua, pensou, chutando os restos dos degraus que o levariam à entrada da sala de estar. Mas culpar-se não iria adiantar de nada no momento; afinal, o que poderia ter feito de diferente ao voltar para casa e encontrar sua família sendo feita de banquete por meia dúzia de demônios? Tentar salvá-los? Estavam mortos. E se não estivessem, logo morreriam.

Incendiara sua própria casa e enviara a família ao inferno.

Mas pelo menos não foram sozinhos. Quando o primeiro zumbi sentiu o cheiro de queimado, as chamas consumiam as portas e janelas, e em poucos minutos já era tarde demais. Asa manteve-se firme, as íris azuis consumidas pelo brilho alaranjado do fogo enquanto os gritos e grunhidos das aberrações morriam aos poucos, o barulho de paredes e móveis cedendo e quebrando sobrepondo-se aos sons da morte.

Apenas um conseguira atravessar a janela da sala; os chiados agudos que emitia com o fundo da garganta chamando a atenção do garoto assim que os dentes da criatura fincaram-se contra a pele de seu ombro. Asa agarrou um pedaço de madeira e atacou-o na cabeça, ignorando a dor extrema que tomava conta de seu corpo e o cegava. Parou apenas quando o crânio, já esmagado, deixou fluir pedaços do cérebro do zumbi.

E lá estava ele, mais uma vez, parado no centro do que um dia fora a sala de estar de sua casa. Provavelmente voltar não fora sua escolha mais sábia, mas para onde mais poderia ir? Poderia não ser um deles, mas estava infectado. Não seria aceito em nenhum lugar, e nem ao menos julgava que seria seguro se fosse.

Abriu a mochila e puxou a embalagem amassada do único antídoto que conseguira encontrar na farmácia: estava embaixo do balcão do caixa, esquecido. Puxou a bula do remédio e passou os olhos cansados pelas letras miúdas, mas já sabia todas as informações de cor. Injetar na veia de 24h em 24h. O produto não é a cura, apenas uma solução temporária.

Suspirou, puxando a manga da blusa florida e amarrando um elástico ao redor do braço, logo acima do cotovelo. Procurava por uma veia quando o barulho de passos chamou sua atenção. Virou o rosto de forma automática, o coração batendo com tanta força contra seu peito que tinha a impressão de que a qualquer momento poderia vomitá-lo.

- Ethan…? – A voz saiu rouca, os olhos semicerrados para que conseguisse enxergar os contornos do garoto que se aproximava. 

A arma quase escorregou das mãos suadas de Ethan enquanto o queixo pendia e os olhos arregalados fitavam o garoto aproximar-se de onde estava. Era possível…? Deu um passo para trás quando ele atravessou o que antes podia ser chamado de jardim, a camiseta alegremente florida destoando do restante do ambiente. E molhada com sangue.

Engoliu em seco, mas foi como se engolisse um cubo de gelo. Se Asa estava vivo, então será que Morgan…? Não. Sacudiu a cabeça, espantando as falsas esperanças. Aquele sentimento não era mais saudável naqueles tempos. O que precisava fazer era verificar se o irmão mais novo de seu melhor amigo estava bem. Devia isso à ele.

Recompôs-se, passando as palmas das mãos sobre a jeans antes de empunhar a pistola novamente. Retomando a cautela, olhou em volta verificando se ainda estavam sozinhos. Então, com passos hesitantes, aproximou-se da varanda, pulando para o deck maltratado já que não havia mais degraus.

E estancou sob o batente.

Não, nunca tivera uma ligação muito forte com Asa. Suas conversas se resumiam a acenos de reconhecimento quando se encontravam em algum lugar, e “Morgan está?” quando era ele quem atendia a porta ou o telefone. Ainda assim, era a pessoa mais próxima que tinha de um amigo. Ou até mesmo de uma família. Antes que percebesse já tinha vencido a distancia entre os dois, a mão livre pousando sobre a bochecha do outro como se para verificar que ele era real.

- Asa. – o nome saiu junto com a respiração que não percebeu que havia prendido. Desviou então os olhos para sua camisa, procurando a origem de tanto sangue. Então viu, a seringa, a ampola… – Você está bem?

Mordeu os lábios. Era uma pergunta idiota.

Asa @ Burn it down

O sol começava a esconder-se no horizonte, tingindo de alaranjado o céu e toda a paisagem ao redor. Ethan focou os olhos nas sombras sinistras das poucas árvores pela rua, chegando à conclusão de que se não era seguro estar ali de dia, seria muito pior quando a escuridão reinasse completa. Entretanto não se moveu. Voltou a fitar os restos da casa à sua frente, envolta em cinzas e pedaços chamuscados de madeira. Soltou uma risada muda e sem humor algum, perguntando-se mentalmente quando as coisas iam começar a melhorar. De alguma maneira sabia que a resposta era “nunca”.

Aquela era a casa dos Sawyer, o lugar que o abrigou por grande parte de sua infância e adolescência. Os quartos, as paredes, o jardim… Todos os lugares tinham uma história para contar, uma memória preciosa, onde os personagens principais eram ele e Morgan Sawyer, seu melhor amigo desde a primeira vez em que se viram. A única pessoa que estivera com ele em todos os momentos, agüentando todas as suas fases com lealdade, paciência e companheirismo. Agora… estava tudo acabado. Não era a casa que o preocupava - fora-se o tempo em que se apegava a coisas materiais - mas sim o quanto pesava o significado de ter sido incendiada: a infecção alastrara-se até ali. O fogo não consumira somente os móveis e as lembranças… Também o levara com ele.

Abaixou a cabeça. Os olhos estavam irritados, mas ainda assim sentia-se incapaz de chorar. Era algo que não resolvia nada. Ergueu a mão direita para coçá-los, mas desviou-a para a arma presa no cós de sua calça assim que o som baixo de passos atingiu seus ouvidos. Saiu do meio da rua o mais quietamente que pode, escondendo-se atrás do tronco da única árvore que ainda mantinha-se em pé naquele terreno. Puxou o gatilho, ato que virara automático por todas as vezes que já empunhara a pistola apenas nas últimas semanas, e pendeu a cabeça levemente para a esquerda, conseguindo manter-se precariamente nas sombras e ter uma boa visão do final da rua. Esperou inquietamente que alguém entrasse em seu campo de visão.

Name: Ethan Alexander Bradford Age: 24 Status: Human Skills: Guns and knifes

Name: Ethan Alexander Bradford
Age: 24 
Status: Human
Skills: Guns and knifes